Concurso da Aldeia Mais Portuguesa

Remexendo no Baú “Memórias de Fernando Correia Soares
(e)”Concurso da Aldeia Mais Portuguesa

Dilar das Dores

(…) O dia já vai longo os estômagos reclamam o almoço. Dirigem-se para o Paço, no Pomar de Cima, onde ao ar livre é servido um almoço castiçamente tradicional. Papas de xerém com ameijoas, galinha de cabidela, “charrinhos alimados”, carne de porco com ameijoas, lulas recheadas, tudo regado com o bom e espirituoso vinha da Nave, que trepa mais veloz que o éter. A Doçaria tinha o seu lugar bem marcante – doces de amêndoas – carriços Dom Rodrigo, (…).
Depois deste dia tão cheio de surpresas para os nossos visitantes, é-nos congratulante ouvir os comentários do cronista no Jornal de Notícias de 10 de Outubro de 1938:
“… E esse espetáculo sem preparação, simples, espontâneo, saído da alma e do coração da aldeia e do povo, (…), tão lindo, tão nosso, tão português! Quem diria? Neste luxuoso álbum de visitas que, alusão às aldeias já visitadas) deslumbrantemente, folheamos durante três semanas – Alte foi das visões que mais nos tocaram, que mais nos impressionaram, que mais fixamente se gravaram na nossa alma. Foi a última aldeia que o júri visitou…mas não será de estranhar que, como no evangelho, a última fosse a primeira”.
“Matos Sequeira, do júri, não escondia a sua surpresa. Armando Leça, tão cuidadoso e tão honesto nas suas apreciações, não ocultava a sua simpatia. E o Dr. Luís Chaves, de raro prestígio intelectual, não poupava palavras de louvor. Alte foi a grande surpresa deste fim de viagem. Surpresa que ficou – surpresa que não esquece”.
Pese, embora, mau grado nosso surgem-nos agora contradições que opõem a tradição oral à narração histórica do que foi o “Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal”, suspeitando-se contudo, haver algumas discrepâncias em toda a história.
Temos em mãos um estudo histórico sobre o assunto, feito por Joaquim Pais de Brito, antropólogo, docente no I.S.C.T.E., intitulado “ O ESTADO NOVO E A ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL”, QUE VEM ESCLARECER E RELEMBRAR O QUE TAL CONCURSO FOI E COMO DECORREU.
(…) As juntas de freguesia são encarregadas de nomear os júris locais, constituídos por um etnógrafo, um musicólogo, um diretor de museu regional, um representante da Comissão Municipal de Turismo e o presidente da Junta respectiva, que irão escolher duas aldeias da área.
Estas escolhidas serão depois avaliadas por um júri central, integrando três etnógrafos, um musicólogo, duas individualidades nas artes e letras e o director de SPN.
A aldeia escolhida será atribuído o premio “GALO DE PRATA””.
(continua)

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