Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Alte, Sr. António Martins
José Vitório/Victor João
Ecos/AL-TV – Quem
é o cidadão, António Martins? Não tendo ligações ao Algarve, como veio e porque
resolveu ficar em Alte?
António Martins:- Estava longe de vir para cá morar. Sempre disse que o último sítio do
país para onde iria viver um dia seria para o Algarve. Porquê? Quando se vive
em Lisboa, longe do litoral, e se fala do Algarve… Verão, praia, confusão!
Então para sair da confusão para vir para a confusão, então, não! Esperava ir
para qualquer parte do país, menos para o Algarve.
Então, um dia, a minha esposa que estava desempregada,
chegou a casa e disse-me: "Arranjei trabalho!". "Boa!", disse-lhe,
"Para Onde?". "No Algarve", respondeu.
Deve calcular como fiquei. Pensei para comigo “Pela
boca morre o peixe”. Mas, como a minha esposa precisava de trabalhar, claro,
tínhamos de vir para o Algarve. Então conversámos, mas… coloquei uma condição:
viríamos para o Algarve, mas para a Serra.
Ecos/AL-TV – Porquê a Serra?
António Martins:-
Porque eu gosto muito da natureza, de lugares pequeno, cresci em lugares
pequenos. Na aldeia do meu pai, eu ia lá passar todas as férias e aquele
ambiente, na aldeia, é familiar, conhecemos toda a gente. É algo que me agrada
profundamente.
E foi por isso mesmo que viemos para a Serra.
Entretanto, andei à procura de casa durante um ano, porque inicialmente
instalámo-nos em Loulé.
Um dia, uma casa aqui na freguesia de Alte, mais
propriamente nas Águas Frias, escolheu-me para viver lá.
Ecos/AL-TV – Considera-se um
homem solitário?
António Martins:-
Não! Nada disso, bem pelo contrário, as pessoas que me conhecem sabem bem. Sou
tudo menos solitário.
Mas gosto muito de ambientes humanos e as cidades são
desumanizadas, roubam-nos tempo, mal conseguimos estar com os amigos! Quase não
conhecemos os vizinhos. Vivemos anos e anos no mesmo prédio, vemos as caras mas
não sabemos quem são as pessoas. Então, quando cheguei a Alte, achei-me
literalmente em casa!
Ecos/AL-TV – Deu-nos a
conhecer a pessoa humana que tem dentro de si, quanto ao António Martins
académico?
António Martins:-
Sou Professor, sou Arqueólogo; tenho formação em Línguas, posso dar aulas desde
o Ciclo ao 9º ano; posso dar História, posso dar Francês e Português. Sou um
apaixonado pelo Património pelas pessoas e pelas tradições também.
Ecos/AL-TV – Eleito
presidente da Junta de Freguesia de Alte pelo PS, nas últimas eleições
Autárquicas de 01 de outubro, rompendo com uma tradição Social Democrática de
16 anos. Esperava ser eleito?
António Martins:- Claro! Bom, não me candidataria senão me
esperasse ser eleito.
Ecos/AL-TV – Foi esta a 2ª vez que se candidatou, colheu frutos da primeira
vez. Ficou a conhecer melhor as pessoas?
António Martins:- Recuando um pouco no tempo. Como sabem, quando me candidatei,
comecei nestas coisas da política pela 1ª vez aqui em Alte. Aliás, andei na
campanha do PS com as pessoas da lista da candidata D. Maria Alice, porque já
sentia nessa altura, os problemas da freguesia. Porque ouvia as pessoas,
discutia com as pessoas os seus problemas. Algumas fazem agora parte da minha
lista. E como era incrível! Com o potencial que esta freguesia tem, que estava
a desertificar e não haver um projeto que revitalizasse isto, mas revitalizar
no sentido humano! Não no sentido do betão, do alcatrão. Espalhar betão
e alcatrão é fácil…mas trazer as pessoas, é que é complicado. E foi
por isto que entrei nestas coisas da política e que me candidatei pela 1ª vez a
pedido do Dr. Victor Aleixo. Senti que ficámos a um danoninho como
se diz na gíria, de ganhar ou de pelo menos termos empatado.
Depois como as pessoas me começaram a conhecer melhor, é verdade que o facto de
ter ido trabalhar para a Câmara, também a convite do nosso Presidente da
Câmara, Dr. Victor Aleixo, ajudou. Porque as pessoas começaram a conhecer
melhor o meu trabalho, e desta vez estava com esperança de levar avante o nosso
projeto.
Ecos/AL-TV – O lema da sua candidatura “Alte tem Futuro”, sentiu que o futuro
de Alte estava comprometido e por isso a necessidade de se candidatar?
António Martins:- Neste contexto só com o António Martins Alte teria futuro, porque
não me parece que as outras candidaturas, respeitáveis como são, tivessem um
projeto coerente que exatamente apontasse para uma construção de futuro. Devo
dizer que a lista da CDU e o seu projeto têm uma perspetiva que é uma
perspetiva muito ligada ao futuro, ligada à agricultura. Mas, com toda a
honestidade, é pouco realista, hoje apostar todo o futuro de Alte na
agricultura. O nosso projeto é o único que é mais abrangente, que partindo de
um desenvolvimento de um turismo do interior, abrange exatamente a agricultura,
as infraestruturas, o apoio aos idosos. Portanto, acho que só com o nosso
projeto conseguiremos dar um novo futuro a Alte.
Ecos/AL-TV – Quais as primeiras
medidas que irá tomar, agora que foi eleito, e se toda a sua equipa vai estar
envolvida?
António Martins:- Eu tenho de dizer uma coisa. Na verdade, e não lhes
digo isto vezes suficientes, eu tenho uma equipa, uma equipa de trabalho, gente
que, não podendo estar a trabalhar todos os dias connosco, se associou ao nosso
projeto e que integrou a nossa lista da qual me orgulho muito. Digo mais, e já
falámos várias vezes sobre isto, esta freguesia, esta Junta, tem efetivamente
trabalho para mais três ou quatro pessoas a tempo inteiro. Percebo
perfeitamente as dificuldades que teve a nossa assessora que, sozinha,
conseguiu levar este barco avante. É complicado, é complicado, porque a
freguesia tem muito trabalho para fazer, as solicitações são muitas. Queremos
levantar os projetos para levar por diante e só com uma pessoa, que a junta
tem, é complicado levar tudo ao mesmo tempo.
Eu tenho um orgulho enorme na equipa que me acompanha.
Desde os dois elementos que estão no executivo - a Adriana e o Adriano -, como
aqueles que estão na Mesa da Assembleia de Freguesia, presidida pelo nosso
amigo, Luís Coelho, são gente que está sempre pronta para trabalhar, não ganham
nada, pelo contrário ainda gastam dinheiro. Sempre prontos a trabalhar. Para
mim é um orgulho e um privilégio.
Ecos/AL-TV – Vai andar por ai. Tem consciência
das promessas que fez. As pessoas irão questioná-lo. O que lhes dirá?
António Martins:- Tenho consciência das promessas que fiz, aliás, a
minha equipa não me deixará esquecer as promessas que fiz, registaram-nas
todas. Temos o nosso programa, temos as nossas promessas individualmente que
fizemos nos vários locais, claro que é ambicioso, mas eu tenho alguns lemas,
alguns princípios pelo quais me oriento. Um dos quais é: “Se acho que não sou
capaz não prometo”, eu acho que sou capaz de quase tudo! E outro: "o
possível faz-se já!".
Ecos/AL-TV – Não o assusta fracassar nas medidas por si prometidas
se a Câmara de Loulé não corresponder às suas expectativas? Ou seja: Que a
Câmara venha a ter o mesmo tratamento que teve com o anterior executivo da
Junta?
António Martins:- Eu não seria coerente se não dissesse agora o que
disse à minha antecessora. Eu acho, e disse-lho várias vezes, e tenho que
aplicar o mesmo princípio em mim. Provavelmente o anterior executivo não teve a
ênfase suficiente a reivindicar aquilo de que a Alte necessita. E, eu sei, que
nós que vivemos no interior, mesmo sendo da mesma cor e falando a mesma
linguagem, o que tenho que reconhecer facilita, mas é claro que facilita! Isto
é coisa que o Sr. Presidente da Câmara Victor Aleixo disse muitas vezes e é
claro. Trabalha-se com toda a gente, quando temos alguém que tem os mesmos
princípios as coisas fluem com mais facilidade. É um facto! Seria hipócrita se
dissesse o contrário. No entanto, não é por isso que as coisas funcionem melhor
ou pior, porque eu conheço várias juntas espalhadas pelo país, sendo de cores
diferentes de quem está na câmara, que fazem um trabalho extraordinário.
Portanto, eu acho que o ponto está em reivindicar aquilo a que temos realmente
direito: obrigar o Litoral a voltar-se para o Interior, que é desde o princípio
uma das minhas bandeiras, com toda a gente de fora e dentro do Partido. Não
tenho uma linguagem para dentro e outra para fora, e portanto se nós soubermos
apresentar projetos, se soubermos apresentar argumentos e se soubermos
reivindicar, conseguiremos fazer aquilo que é necessário.
Ecos/AL-TV – Terminamos a entrevista, com este sábio provérbio
chinês;
“Não importa quantos passos você deu para trás, o
importante é quantos passos agora você vai dar para a frente”
- Que o sucesso supere o fracasso”, digo eu.
Agradecemos a sua disponibilidade do seu tempo,
em nos ter recebido; o Jornal Ecos da Serra e a AL-TV, nesta parceria “Duas
frentes informativas”. Esperando nós que o Sr. Presidente esteja disponível
para outras futuras entrevistas, servindo estas para informar os fregueses
desta freguesia e todos os interessados em acompanhar o pulsar desta freguesia.
Mais uma vez, muito obrigado, Sr. Presidente da Junta
de Freguesia de Alte.
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