Raízes Etnográficas
Remexendo
no Baú “Memórias de Fernando Correia Soares
(a)”Raízes Etnográficas do Concelho de Loulé,
Zona Serrana de Alte
É nas aldeias mais interiores,
menos expostas às influências estranhas que vamos encontrar mais pureza de
costumes, maior simplicidade, espontânea naturalidade, coração puro da alma do
nosso povo.
A Aldeia de Alte, uma das
freguesias do Concelho de Loulé, implantada no barrocal e serra do Caldeirão,
duas zonas geologicamente bem distintas, de calcários e xistos, flora bem
deferençada com alfarrobeiras, amendoeiras e figueiras no barrocal, azinheiras,
sobreiras e estevas na serra.
(…) E foi esta aldeia, cravada no
meio de quatro cerros do Algarve, o melhor sacrário do nosso folclore algarvio.
(…) José Cavaco Vieira, ele é um
verdadeiro poeta da natureza (…) o “Zé d´Alte”, o “Zézinho dos alegretes” (como
antigamente lhe chamavam).
(…) Encontra na charneca uma
pedra, mira e remira, dá-lhe voltas e reviravoltas, e eis que descobre a cabeça
dum ilustre vate. (…) Quem visita a Fonte Grande em Alte, lá encontra o nosso
Camões. (…)
Tarde de Primavera. Fui então
visitar o senhor Vieira, falar com ele, recordar os tempos passados, e, é ele
que diz:- Tinha eu 14 anos, estávamos em 1917, ia assistir às reuniões que se
faziam em casa da Ti Joaquina da Palma, no Moinho da Levada – local onde a
juventude de então se divertia, cantando as cantigas dos seus antepassados e
fazendo os seus bailes de roda. (…)
E assim ia recordando os bailes
de roda, acompanhados do pífaro de cana ou da gaita de beiços, o baile mandado,
os cantares a despique e outros. Mandava o baile a Ti Henriqueta Machado e foi
ela da ideia de sentar as mulheres nos braços dos homens e levantá-las. (…)
animando os serões de fim de semana em alegres convívios que divertiam toda a
aldeia, sem intuitos de representação fora da terra.
(continua)
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