Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal
Narração
histórica do “Concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal”
À
aldeia escolhida será atribuído o prémio “Galo de Prata”.
Terminado
o prazo 1 de Julho de 1938, foi publicada a lista das aldeias escolhidas, em
23.08.938. (,,,)
Em
01.09.38 é visitada por um etnólogo a aldeia de Odeceixe. “É pobre, rude, mas
tem um quê de cativante, simpático, português”,”…longe do mundo e das
convulsões”.
Em
03.09.38 cabe a vez de Alte. “Talvez que Alte, a outra concorrente do Algarve
ainda seja mais castiça. É um amor de povoado. As casas branquinhas a mais não
poder ser. Como em parte alguma, há o culto caseiro e louvável das plantas e
das flores. Por dentro a sua alminha é também de muito admirar. Tem artes e
industrias populares de boa feição e recomendam-se-lhe instituições
características como o forno comum ( o forno de poia, assim chamado por ser o
pão de poia que era dado ao forneiro em retribuição do seu trabalho). Em suma
vai a torneio com belezas e virtudes de muitíssimo peso”. De 04 a 07.09.38
seguiram-se as visitas às quatro aldeias do Alentejo (…). Passadas em revista
todas as aldeias, o júri central, inicia no dia 18.09.38 – Domingo, as suas
funções, tarefa que vai ser bem difícil (…)
De
18 de Setembro a 5 de Outubro foram 18 dias de vertiginosa corrida, num mundo
de surpresas e encanto.
(…)
Não há fogo sem lume! Diz o povo e com razão.
Sempre
se disse em Alte, estar a decisão já mais ou menos tomada quanto à escolha da
aldeia vencedora, após a apresentação da aldeia de Monsanto. Foi um desabafo,
nos bastidores e em surdida, do júri que visitou Alte.
(…)
Ao chegar a Monsanto as referências às datas desaparecem. Dá-nos a impressão
que Afonso Ferro e D.ª Fernanda Castro, convidados para apadrinhar um casamento
e D.ª Grácia Lage e marido um batizado, se quedaram por aqui, cansados de tantos
dias de trabalho, convictos que tinham descoberto o “Santo Graal”.
Sabe-se
que António Ferro, homem forte do regime, homem de quero e mando, ficou
sensibilizado e completamente embriagado pelas impressões de Monsanto.
(…)
Apesar de demorada reunião de ontem à tarde, o júri não conseguiu emitir um
voto definitivo e procedeu a uma nova e definitiva selecção. Ficaram apuradas
Paul, Monsanto e Bucos em igualdade de condições. (…) Quanto às outras três
(Alte, Orada e Azinhaga), apesar de terem encontrado entre os membros do júri
entusiásticos advogados, tiveram de ser sacrificadas
Tudo
isto leva a crer que quem decidia era António Ferro, homem que não admitia que
as suas decisões fossem contestadas.
No
dia 10.10.38, o júri por maioria de votos, elegeu Monsanto, que recebeu o “GALO
DE PRATA” no dia 3 de Fevereiro de 1939, no Teatro Almeida Garrett, em Lisboa.
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Existe muita mais narrativa, mas, por agora fico por aqui, digo eu.

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