Concurso da Aldeia Mais Portuguesa

Remexendo no Baú “Memórias de Fernando Correia Soares

(d)”Concurso da Aldeia Mais Portuguesa

Membros do Júri do concurso da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal
 (arquivo Nacional da Torre do Tombo)
Assiste-se depois ao casamento do Álvaro Esperança com Esperança do Carmo, à moda tradicional, (...) segue o cortejo nupcial com os noivos bem casados. Dirigem-se para a casa da noiva onde vai decorrer a boda. (…) No pátio do Silvinha um grupo de raparigas, fazendo renda, mantas de retalhos e bordados, vestidas com trajes tradicionais, cantavam. (…) No Largo, hoje José da Graça Mira, ferrava um “macho” do Ti João Cravinho, o ferrador Joaquim Governo. No princípio da Rua Nova, Joaquim da Mata ferrava uma égua do Adolfo Madeira. Na Rua do Forno, visitaram o forno de poia (assim chamado o pão que era dado em retribuição do trabalho de cozedura) do Alfredo Ligeiro, a cargo da Ti Esperança. Mais à frente e já na Rua Nova a Ti Guerreira, agarrada à pá do forno, retirava bolos de alforge e bolos de torresmos que davam cheiro a toda a rua. ( A Ti Guerreira e a Ti Esperança eram as parteiras da aldeia, as comadres de toda a gente.
(…) Percorrendo toas as ruas da aldeia, em todas elas encontravam artesãos nas suas lides. Sentados nas ombreiras das portas, o Ti João Cavalinho fazia cestos de cana e o Ti Zé Guerrilha cadeiras de tábua. Os alfaiates António Ameixa, José Francisco e seu irmão Alfredo Madeira, acabavam jaquetas e calças à boca de sino; os caldeireiros Faz-Tudo, Pacheco e Chico Caldeireiro, martelavam tachos e cataplanas de cobre, moldavam cântaros de lata e botijas para azeite. Os irmãos ferreiros Joaquim e António Madeira, martelavam o ferro e fazem enxadas, forquilhas, charruas e ferraduras. (…) O sapateiro Joaquim Pedro acaba de cardar umas botas para um agricultor.
(…) Depois de visitar todo o artesanato em laboração, passam ainda pelos armazéns de espartos e empreita de José Cândido Machado, Nunes & Irmãos, Eduardo de Vale e José Montes, cheios de molhos de esparto para trabalhar e obra feita em exposição. (…)
O júri segue para a Fonte Pequena e o grupo de rapazes e raparigas vão atrás cantando.

Na Fonte Pequena decorre o mercado mensal de gado.
(continua)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Alte, Sr. António Martins

Alte e sua História 1ª Parte

Concurso da Aldeia Mais Portuguesa