Combatentes
Ex -combatente ou para sempre combatente?
Cresci a desfolhar um álbum de capa preta com fotos da Guiné Bissau, fazia perguntas que o meu pai não respondia... O álbum não estava escondido mas também não estava num sítio de fácil acesso. Acabava por ser um não assunto... Já estava eu a estudar na Universidade quando por causa de um complemento que foi criado o meu pai procurou a sua cédula militar com a qual fui a Faro solicitar o seu tempo de Ultramar (que foi de mais de 4 anos) e não se voltou a tocar no assunto. Não cresci a ir a almoços, nem jantares de reencontros, de reavivar memórias e acabei por durante anos não saber nada sobre estes tempos do meu pai.
Já trabalhava eu no Centro de Saúde de Albufeira quando conheci um segurança que por coincidência fazia anos no mesmo dia do meu pai, inclusive nascido no mesmo ano. Um dia que fomos beber um café encontramos o Sr. Justino e eu apresento o meu pai, começam a falar e ambos tinham estado na Guiné Bissau. E pela primeira vez ouvi histórias e histórias (as boas claro) e consegui saber mais naqueles breves momentos do que em todo o resto do tempo.
Há pouco na minha terra foi colocada uma linda Estátua aos Ex-combatentes e tal como a mesa que lá está eu acho que o meu pai assim voltou, quebrado, sem parte dele. Mas nem sei bem, pois continua a ser não assunto e acho que aqui em casa assim será.
Tempo que lhes foi tirado mas que ao mesmo tempo lhes ficou tatuado de forma que só o outro que lá esteve entenderá.
Com ou sem tatuagem real de tinta da china, com ou sem mazelas visíveis, mas todos os que lá foram lá também ficaram um pouco.
Uns mais do que outros mas todos continuam a combater o que lá viveram ou passaram e por isso eu digo que talvez sejam para sempre combatentes e não ex-combatentes.
Alte parabéns pela iniciativa e para quando a Inauguração?
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